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sábado, 5 de fevereiro de 2011 Post By: Ana Paula Andrade

MINHA EXPERIÊNCIA COM PARTO

Queridas, a partilha abaixo brotou de nossa irmã Adriana, que esteve no Círculo Sagrado de Visões Femininas na lua nova de fev/2011, em Porto Alegre/RS.
Bjos, Ana Paula Andrade (Guardiã em POA/RS)


MINHA EXPERIÊNCIA COM PARTO
       
               Querida Aninha,
       Quero dar meu depoimento, após conseguir organizar meus sentimentos...
 
       O CSVF de ontem foi magnífico, fiquei emocionada de um modo como nunca havia sentido antes. Tive que vencer uma grande resistência interna para chegar lá, desde perder as duas conduções que me transportaria, até o desejo constante de fugir, sair correndo no meio de tudo. Meu corpo doía e meu ventre superaqueceu. Realmente coisas muito poderosas foram trabalhadas.
        A presenças das três irmãs grávidas, e mais a pequena Cecília foram uma grande benção da Mãe para todas nós. Ela nos deu a possibilidade de Ver através do espelho/ventre de nossas queridas companheiras de Círculo.  Tudo girou em torno da maternidade, inclusive sentei-me ao lado da Lu, que me contou de seus planos de engravidar este ano... Mas que conspiração!
         Mas somente agora é que pude compreender o porquê da minha resistência. Eu de antemão presenti que jamais sairia deste Círculo intacta, me despedacei e me juntei, numa nova forma, um novo caminho.
         Recordei de mim, de minhas gestações e me curei de minhas dores e mágoas no meu Ser-Mãe.  Gestei duas crianças no breve período de dois anos e três meses. Foi uma dura tarefa. Por querer fazer as coisas de uma maneira "diferente", embora nem ao menos soubesse bem como fazer, mais uma vez, me isolei para não ser influenciada pela corrente do que é "normal" fazer no parto. Não agüentava a expressão misto de dor, pena e medo que via nas mulheres de minha família ao receber a notícia de minha gravidez. Eu mesma, sempre afirmei que jamais seria mãe. Com todos estes programas negativos, eu precisei de uma grande dose de coragem para mudar. O período que anteceu a gravidez englobou mudanças alimentares e inclusive de parada no consumo de cigarros. Para coroar a fase, após organismo estar limpo, engravidei. Senti necessidade de ajuda, mas não confiava nos médicos e sua teoria limitada, então, mas me instrui e me fortaleci com o livro do maravilhoso médico argentino, Domingo Constanti, Parto Sem Dor,  e o tornei meu guia, meu porto-seguro. Ele afirmava que as mulheres eram completamente preparadas para terem seus filhos de modo natural, e ele, médico de família, relatava sua experiência de percorrer o interior da Argentina, realizando partos em casa, por aproximadamente dez anos, e neste período, o número de cesarianas realizadas foi ínfimo, umas duas se bem me recordo.
         Então, quando chegou a hora de meu primeiro filho nascer, todos na minha casa corriam de um lado para o outro e eu não compreendia a aflição deles. Internamente eu estava pronta para sair e eu queria ir sozinha... Sentia que poderia realizar o nascimento de meu filho, somente eu e ele, como nossas ancestrais o fizeram, sozinhas na floresta. Desta maneira, consegui ser forte e ir para a sala de parto sem ter sentido as dores que minhas companheiras de hospital estavam sentindo.  Eu respirava tranqüilamente, nada de respiração "cachorrinho", e andava de um lado para outro, fluindo com cada contração que eu tinha, o corpo livre, na onda que empurravava meu filho para fora. Quando ele desceu do útero para o canal vaginal, as enfermeiras não queriam me levar para a sala de parto, porque achavam que ainda não era a hora, eu estava "sem sintomas".  De tanto eu insistir, foram verificar e puderam enxergar a cabeça dele prestes a sair. Como fiz o parto pelo SUS, não consegui evitar que me fizessem a episeotomia, embora soubesse que não era necessária.
         Meu segundo parto, foi uma cesariana de emergência. Se não fosse o fato de eu ter vivido a segunda gestação em situação de angústia por situações alheias à gravidez, tenho certeza que minha filha teria se beneficiado de um parto normal também, pois, no momento da cesariana, que aconteceu decorrente do descolamento da placenta, eu já estava com a dilatação necessária, e tudo isto, novamente sem dor. Mas mesmo esta  cirurgia, que salvou a vida da minha filha, fora-me avisada na noite anterior, numa intuição. Então, procurei aceitá-la e não criar resistências, porque o mais importante era ter minha filha comigo.
          A recuperação de uma cesariana é muito complexa, fiquei privada de oferecer meu amor e meu calor para minha pequena criança pois precisei ficar em recuperação, absolutamente deitada. Mas busquei meu poder de mãe e assim que consegui andar fui até o berçário e busquei eu mesma meu bebê. Só que assim que retornei para casa e que passaram os efeitos dos analgésicos que me aplicavam no hospital, a dor que senti foi inacreditável. Não consigo, pela minha experiência, compreender a preferência pela cesariana! Recuperação muito demorada, três meses... E tanta dor...
         Hoje, então, a mensagem para as irmãs é que lutem pela maternidade, porque mesmo com possibilidades limitadas, como as minhas na época, posso afirmar que fui totalmente atuante no nascimento de meus dois filhos. Todas podemos ser de algum modo. Basta que confiemos em nosso corpo e na sabedoria dele. Se tivermos esta convicção, a orientação que eventualmente precisarmos, se apresentará. Saberemos o caminho, sem medo dos fantasmas, que a medicina tenta incutir em nós, eles são ilusões de poder de um mundo que vê as coisas por uma ótica masculina distorcida.
          Somos mulheres e somos nossa própria medicina.
 
          Bjos
          Adri


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